ANC sofre derrota histórica nas eleições municipais e obtém apenas 31% dos votos na África do Sul

O Congresso Nacional Africano (ANC), partido do Presidente Cyril Ramaphosa, sofreu um novo revés eleitoral nas eleições municipais sul-africanas, ao conquistar cerca de 31% dos votos, segundo resultados preliminares com 99% dos boletins contabilizados. A formação política, que governou o país desde

ANC sofre derrota histórica nas eleições municipais e obtém apenas 31% dos votos na África do Sul

O Congresso Nacional Africano (ANC) registou um dos resultados mais baixos da sua história eleitoral nas eleições municipais realizadas na África do Sul, depois de obter aproximadamente 31% dos votos a nível nacional, contra 25% da Aliança Democrática (DA), principal força da oposição.

Os resultados provisórios divulgados este domingo, 8 de Novembro de 2026, indicavam que 99% dos votos já tinham sido contabilizados, confirmando uma redução significativa do apoio eleitoral ao partido liderado pelo Presidente Cyril Ramaphosa.

A votação representa uma queda de aproximadamente 14 pontos percentuais em relação às eleições municipais de 2021, quando o ANC obteve cerca de 45% dos votos.

Apesar de continuar a ser a formação política mais votada a nível nacional, o resultado evidencia o enfraquecimento eleitoral de um partido que dominou a política sul-africana durante décadas, desde a transição democrática que pôs fim ao regime do apartheid.

Os resultados também confirmam a crescente fragmentação do cenário político sul-africano, com várias forças partidárias a disputar espaço num contexto em que a formação de coligações se tornou determinante para a governação municipal.

DA aproxima-se do ANC e partido de Jacob Zuma conquista terceiro lugar

A Aliança Democrática (DA) consolidou a sua posição como principal força da oposição, alcançando aproximadamente 25% dos votos nacionais, uma diferença de apenas seis pontos percentuais em relação ao ANC.

Na terceira posição aparece o partido uMkhonto weSizwe (MK), associado ao antigo Presidente Jacob Zuma, que obteve aproximadamente 10% dos votos.

Os restantes votos foram distribuídos por centenas de pequenas formações políticas, demonstrando a crescente dispersão das preferências eleitorais no país.

A evolução dos resultados representa uma alteração importante no equilíbrio político sul-africano, sobretudo depois de o ANC ter perdido a maioria absoluta no Parlamento nacional nas eleições gerais de 2024.

Crise de confiança e insatisfação com os serviços públicos

A queda eleitoral do ANC está associada a um conjunto de factores que têm alimentado a insatisfação dos eleitores sul-africanos.

Entre as principais preocupações estão os casos de corrupção, o desemprego, a deterioração dos serviços públicos e as dificuldades no fornecimento regular de água e electricidade.

O desemprego, que ultrapassa os 34%, continua a representar um dos principais desafios económicos do país, mais de três décadas depois do fim do apartheid.

A incapacidade de responder satisfatoriamente a problemas quotidianos, como interrupções no abastecimento de água e energia, estradas degradadas, iluminação pública deficiente e recolha irregular de resíduos, tem contribuído para o desgaste da confiança popular no partido governante.

A tendência de perda de apoio não começou agora. Nas eleições municipais de 2021, o ANC já tinha registado uma redução significativa da sua votação, alcançando aproximadamente 45,6%, contra resultados historicamente superiores em eleições anteriores.

Joanesburgo expõe o enfraquecimento político do ANC

Um dos sinais mais expressivos da transformação política sul-africana verifica-se em Joanesburgo, principal centro económico do país.

Nos resultados preliminares, a Aliança Democrática liderava a contagem com aproximadamente 35% dos votos, enquanto o ANC registava cerca de 20%.

Este cenário colocou Helen Zille, figura histórica da DA e candidata à liderança municipal, entre os nomes com possibilidades de assumir a presidência do município, embora a eleição dependa dos acordos de coligação.

A situação reflecte uma realidade mais ampla: o ANC não conseguiu assegurar maioria absoluta em nenhuma das oito principais regiões metropolitanas sul-africanas, obrigando os partidos a procurar entendimentos políticos para formar governos municipais.

Negociações de coligação podem determinar a governação das cidades

Com a fragmentação dos resultados eleitorais, a formação de coligações tornou-se uma das principais questões políticas no período pós-eleitoral.

De acordo com a Reuters, os partidos dispõem de 14 dias para negociar acordos antes da constituição dos conselhos municipais.

O secretário-geral do ANC, Fikile Mbalula, classificou o desempenho eleitoral como «catastrófico», reconhecendo a necessidade de o partido reflectir sobre os resultados e reorganizar-se.

«Quando o povo nos diz que ficámos aquém das expectativas, a resposta honesta não é discutir com ele, mas regressar a casa e pôr a nossa casa em ordem», afirmou Mbalula, citado pela Reuters.

A Aliança Democrática, por sua vez, anunciou a intenção de iniciar conversações com partidos que partilhem compromissos com a transparência, o combate à corrupção, a prestação de serviços públicos e o Estado de Direito.

Resultados finais confirmam um novo ciclo político

Uma actualização posterior da Africanews, com base em informações da Associated Press e da AFP, indicou que os resultados finais atribuíram ao ANC 32,5% dos votos, à DA aproximadamente 22,9% e ao partido MK cerca de 9,9%.

Estes números diferem dos valores preliminares de 31%, 25% e 10%, respectivamente, divulgados quando 99% dos votos estavam contabilizados.

O resultado confirma que, apesar de permanecer como a maior força política nacional, o ANC enfrenta uma redução histórica da sua influência eleitoral e uma nova realidade de negociação política.

A disputa pela governação municipal deverá agora depender da capacidade dos partidos de construir alianças suficientemente estáveis para assegurar a administração das cidades e responder às exigências dos eleitores.

Relacionados