arricadas nas estradas foram erguidas por livre vontade popular e não por instrução política, afirma Celso Carlos na TV Sucesso
Em debate tenso com o deputado Muchanga, o comentador defendeu que a população agiu de forma consciente durante as tensões pós-eleitorais, recusando a tese de que os bloqueios e "campas" tenham sido ordenados por Venâncio Mondlane.

A colocação de barricadas e "campas" nas vias públicas durante as recentes tensões pós-eleitorais em Moçambique resultou da iniciativa espontânea e voluntária dos cidadãos, e não de ordens directas de lideranças políticas. A posição foi defendida categoricamente pelo comentador Celso Carlos durante o programa de análise política da TV Sucesso, num confronto directo com o deputado da Assembleia da República, Muchanga
. Segundo o analista, as manifestações ocorreram em todo o território nacional sem que nenhum moçambicano — independentemente da sua relevância pública — estivesse isento dos seus efeitos
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Espontaneidade popular versus orientação por lives
Durante o debate em estúdio, a origem da violência e dos bloqueios de estradas dividiu de forma vincada os intervenientes . Perante as acusações de que as transmissões em directo (lives) de Venâncio Mondlane serviam de comando central para o encerramento de vias e serviços, Celso Carlos rejeitou a narrativa de manipulação de massas, sustentando a autonomia da acção popular ."As tensões pós-eleitorais aconteceram em todo o território nacional, portanto ninguém estava isento da manifestação pública individual ou colectiva voluntária. As pessoas que colocaram campas e barricadas agiram a seu belo prazer, conscientes, não instruídas por outrem", afirmou Celso Carlos . O comentador reiterou que a figura política em causa estava acompanhada por uma equipa técnica responsável no período em análise.
"Na data dos factos, ele era assessorado por pessoas credíveis e em nenhum momento deu essa instrução. Não foi o Venâncio que mandou erguer campas, não foi o Venâncio que mandou a mamã Graça Machel voltar".Ninguém esteve isento: o impacto na mobilidade e a afectação de figuras públicas Ao ilustrar o alcance da paralisação social, Celso Carlos sublinhou que a crise de mobilidade atingiu de forma indiscriminada todas as camadas da sociedade moçambicana, desde os cidadãos anónimos até às personalidades de maior relevo institucional .
"Não existe em Moçambique um cidadão moçambicano que teve tratamento especial. Estávamos todos no mesmo contexto, no mesmo espaço, ninguém estava numa ilha", frisou o analista . Para fundamentar a sua afirmação, o comentador revelou casos próximos e episódios tornados públicos pela comunicação social durante os momentos de maior crispação .
"Eu tive familiares que na via encontraram barricadas e tiveram que voltar para casa. A mamã Graça Machel também foi vítima; nós vimos em televisão em directo, a mamã Graça Machel também foi impedida". Interpelado pelo deputado Muchanga sobre o arrombamento de armazéns e a actuação de meios blindados exibidos nas transmissões televisivas, Celso Carlos relatou a sua própria experiência de vulnerabilidade no auge dos distúrbios .
"Nessa altura provavelmente eu não estava e não podia estar a ver televisão porque estava em busca de um lugar de refúgio. Não tinha tempo para ver televisão, estava a me esconder", pontuou .
Recurso aos arquivos da TV Sucesso para fundamentação factual
Confrontado com as divergências sobre quem incitou à destruição de património e saques a supermercados, Celso Carlos apelou ao rigor editorial e ao exame das provas documentais já registadas pelas equipas de reportagem, em vez de se alimentar uma discussão especulativa ."A Televisão Sucesso tem no arquivo o Venâncio a dizer o que estava a dizer; tem no arquivo as pessoas a sofrer na rua; tem nos arquivos os supermercados a queimar. Por que é que nós estamos a alimentar um debate às cegas aqui quando tudo o que estamos a dizer está bem documentado?", questionou .
"As pessoas que colocaram campas e barricadas agiram a seu belo prazer, conscientes, não instruídas por outrem."— Celso Carlos . Sobre a ausência de privilégios na crise de circulação:
"Não existe em Moçambique um cidadão moçambicano que teve tratamento especial, estávamos todos no mesmo contexto."— Celso Carlos . Sobre a necessidade de rigor documental:
"Por que é que nós estamos a alimentar um debate às cegas aqui quando tudo o que estamos a dizer está bem documentado e está no arquivo da Televisão Sucesso?"— Celso Carlos .
Fonte: TV Sucesso

