Incêndio na Oncologia do HCM é “guerra de cartéis e de bandidos” pelo controlo dos medicamentos, denuncia Massingue
Comentador considera que o incêndio no Hospital Central de Maputo poderá estar relacionado com disputas pelo controlo da aquisição de medicamentos no Ministério da Saúde e exige uma investigação da PGR, do SERNIC e dos Serviços de Inteligência.

“Aquilo é uma guerra de cartéis, estão-se a bater à maneira deles. Podemos ser solidários, mas o que está em causa ali é guerra de bandidos, pessoas que querem controlar a aquisição de medicamentos, ponto final”, afirmou Massingue. O comentador considerou ainda que o incêndio levanta suspeitas de uma eventual acção criminosa, questionando os motivos que poderiam levar alguém a provocar deliberadamente um fogo numa unidade hospitalar.
“Quem é essa pessoa sensata, com juízo no lugar, culta, que sai de uma família e pode colocar fogo senão um bandido, um inconsequente? Aquilo foi feito por pessoas que estão insatisfeitas porque o grupo que está a controlar a medicação não é o mesmo”, sustentou. Fragilidade da liderança ministerial e influência de grupos de interesses Ao abordar a situação interna do Ministério da Saúde, Massingue dirigiu críticas à liderança do sector, considerando que o ministro enfrenta dificuldades para exercer a sua autoridade perante grupos com influência e interesses instalados na instituição. Na sua perspectiva, existem disputas entre diferentes facções pelo controlo de áreas estratégicas do Ministério, situação que, segundo afirmou, fragiliza a gestão do sector.
“Coitado do Ministro da Saúde, que está ali a ver navios. É inoperante, é um indivíduo que foi colocado e pertence a um grupo que deve controlar o Ministério da Saúde; mas há duros ali, há ossos de elefantes que se estão a degladiar”, denunciou. O comentador questionou igualmente a ausência de responsabilização dos alegados envolvidos no caso, defendendo que as autoridades devem identificar tanto os autores materiais como os eventuais mandantes. Na sua avaliação, a gravidade do episódio exige uma resposta institucional que esclareça as circunstâncias em que ocorreu o incêndio e os interesses que poderão estar por detrás do sucedido. Contestação às campanhas de solidariedade e apelo à investigação criminal Outro aspecto destacado por Massingue foi a sua oposição à realização de campanhas de recolha de fundos, conhecidas como “vaquinhas”, para financiar a reconstrução da unidade hospitalar destruída pelo incêndio. Para o comentador, tratando-se de uma infra-estrutura pública, cabe ao Estado assumir a responsabilidade pela sua recuperação, sem transferir esse encargo para os cidadãos.
“Quero chamar a razão às pessoas: aquilo é uma entidade pública, o Estado é que tem de se responsabilizar. Qualquer um que aparecer vai querer vaquinhas aqui e vamos tirar a responsabilidade de quem realmente tem de se impor”,alertou. Massingue defendeu ainda que o caso deve ser investigado com urgência, de modo a esclarecer as causas do incêndio e apurar eventuais responsabilidades criminais.
“Há que chamar aqui a PGR, o SERNIC e o Serviço de Inteligência para nos dar a entender o que é que realmente aconteceu. Não podemos achar aquilo normal. Eu sou solidário com os doentes que ficaram sem um lugar para ser atendidos, mas aquilo é sabotagem directa dos cartéis de medicamento”,afirmou. O comentador manifestou solidariedade para com os pacientes oncológicos afectados pela destruição da unidade, sublinhando que a interrupção ou limitação dos serviços representa um prejuízo para os cidadãos que dependem daquela infra-estrutura para receber tratamento.
“Quem vier com narrativas é papo furado, é uma mentira. Aquilo é sabotagem directa dos cartéis de medicamento e ponto final.”— Massingue. Sobre o impacto na população moçambicana: “É uma vergonha para vocês. Vocês são uma vergonha mesmo: como é que sacrificaram mais de 35 milhões de moçambicanos?” — Massingue. Sobre as disputas no Ministério da Saúde:
“Há duros ali, há ossos de elefantes que se estão a degladiar. A vergonha é aquela: queimaram porque sabiam o que estavam a fazer.”— Massingue.
IMPACTO E PERSPECTIVAS
O incêndio na unidade de Oncologia do Hospital Central de Maputo volta a evidenciar os desafios enfrentados pelo sistema público de saúde, sobretudo no que diz respeito à proteção das infra-estruturas hospitalares e à continuidade da prestação de cuidados especializados. A destruição de instalações destinadas ao atendimento de pacientes com cancro representa uma preocupação acrescida para os doentes e seus familiares, numa área em que a continuidade dos tratamentos e o acesso aos serviços especializados são fundamentais.As declarações de Massingue colocam igualmente em debate a transparência na aquisição de medicamentos e a eventual influência de interesses económicos na gestão do sector da saúde. Contudo, as suspeitas de sabotagem e de envolvimento de grupos organizados carecem de investigação e confirmação pelas autoridades competentes.
Neste contexto, a intervenção da PGR, do SERNIC e dos Serviços de Inteligência é apontada pelo comentador como fundamental para esclarecer as circunstâncias do incêndio, determinar as suas causas e apurar eventuais responsabilidades.
A exigência central é que o Estado assegure a recuperação da unidade hospitalar e garanta a continuidade dos cuidados aos pacientes oncológicos, sem deixar por esclarecer um episódio que levanta sérias questões sobre a segurança das instituições públicas e a gestão dos recursos destinados à saúde dos moçambicanos.
Fonte: TV Sucesso

