Moçambique não é um país rico, mas tem potencialidades de riqueza, adverte Dr. Sozinho em debate sobre garimpo ilegal
Em debate com o deputado António, na TV Sucesso, o analista defende que os recursos minerais de Manica, Nampula e Cabo Delgado só poderão gerar riqueza efectiva através do processamento local, da legalização dos circuitos comerciais e da transparência na sua gestão.

Moçambique não é um país rico, mas dispõe de potencialidades que, devidamente exploradas, podem gerar riqueza e contribuir para o desenvolvimento nacional. A posição foi defendida pelo analista Dr. Sozinho, durante um debate na TV Sucesso com o deputado da Assembleia da República, António, sobre as denúncias de exploração indevida de recursos minerais e garimpo ilegal nas províncias de Manica, Nampula e Cabo Delgado. Na ocasião, o analista alertou para a necessidade de distinguir a existência de recursos minerais no subsolo da disponibilidade efectiva de riqueza financeira. Segundo explicou, minerais preciosos, como o ouro, só se transformam em riqueza quando são devidamente processados e comercializados através de circuitos legais e transparentes.
Distinção entre riqueza e potencialidades
Durante o debate televisivo, Dr. Sozinho procurou esclarecer aquilo que considera ser uma interpretação incorrecta sobre a situação económica de Moçambique, sobretudo nos discursos que associam a abundância de recursos naturais à existência de riqueza financeira. Para o analista, é fundamental que a sociedade, incluindo as novas gerações, compreenda a diferença entre possuir recursos naturais e dispor de dinheiro resultante da sua exploração e comercialização. "Riqueza e potencialidades são conceitos diferentes. Potencialidade significa existirem elementos que, uma vez processados e bem capitalizados, podem gerar dinheiro", explicou. O interveniente acrescentou que afirmar que Moçambique é um país rico significa, em termos financeiros, pressupor que existe dinheiro disponível, o que não corresponde necessariamente à realidade apenas pela existência de recursos minerais. Para sustentar a sua posição, recorreu a um exemplo do sector agrícola, comparando a posse de minérios à de produtos agrícolas que ainda não foram comercializados. "Não é a mesma coisa o caro deputado ter em sua casa, por exemplo, uma tonelada de gergelim e dizer que é rico e tem dinheiro. Não! Só vai ter dinheiro depois de comercializar esse produto", exemplificou.
Garimpo ilegal e ameaça terrorista nas províncias
O debate ganhou maior dimensão quando foram abordadas as constatações resultantes da fiscalização parlamentar realizada em Agosto, particularmente nas províncias de Nampula e Cabo Delgado. O deputado António apontou como uma das principais preocupações a exploração indevida de jazigos de ouro por garimpeiros, bem como a actuação de redes criminosas que interferem na cadeia de exploração e comercialização dos recursos minerais. Segundo os relatos apresentados pelo parlamentar, a actividade extractiva informal em Cabo Delgado representa também uma preocupação do ponto de vista da segurança, uma vez que os grupos terroristas que actuam na região poderão beneficiar da exploração ilegal de ouro, apropriando-se de parte dos recursos extraídos pelas comunidades locais. A situação de Manica foi igualmente mencionada, devido aos desafios relacionados com a exploração informal e a existência de circuitos clandestinos de comercialização de minerais.Rigor científico e função educativa da comunicação social
Perante as informações apresentadas pelo deputado sobre as auscultações realizadas nas comunidades, Dr. Sozinho questionou a metodologia utilizada pelas brigadas parlamentares, defendendo que as conclusões de uma fiscalização devem assentar em critérios científicos e dados devidamente fundamentados. Na sua perspectiva, os representantes do povo devem evitar generalizações baseadas apenas em relatos informais, sendo necessário recorrer a métodos de recolha de informação que permitam confirmar a consistência dos dados apresentados. "Um deputado não pode levar exemplos da cervejaria para explicar... Numa auscultação parlamentar, quantas pessoas foram ouvidas? Cientificamente trabalha-se com números, amostragem, duas pessoas para fazer triangulação", sustentou. O analista aproveitou igualmente a ocasião para destacar a responsabilidade educativa dos órgãos de comunicação social e dos actores políticos na transmissão de informações à sociedade. Segundo afirmou, os meios de comunicação não devem limitar-se à divulgação de acontecimentos, devendo também contribuir para a formação e educação dos cidadãos, evitando interpretações que possam induzir a população em erro. "Os órgãos de comunicação social, para além de informar, também formam; têm uma função pedagógica e uma função didáctica, ou seja, uma função educativa e de ensino. Vamos evitar confundir as pessoas, nunca dizer que o país é rico. O país tem potencialidades que podem gerar riqueza", apelou.Fonte: TV Sucesso

